30.3.10






Queria dizer-te alguma coisa, ir ter contigo ou ligar-te apenas, mas depois do que me disseste tudo me parece insuficiente. No início dava voltas à cabeça, ria dos preparativos que me fazia para te ver, sonhava bem alto, tão alto que se ouvia quando passava na rua. Hoje tenho medo de pensar em ti. Trazes imagens que não desejo. Olho para trás na mesma rua onde já sonhei alto e aperto os olhos de dor. Enganei-me. Fui cega. Fui imprudente. Tenho pena de não poder reivindicar nada, de não haver nada para te atirar à cara. Afinal, hoje em dia, não há confiança e as pessoas só se respeitam se houverem pré-tratos e nós nunca tivemos um, nós nunca verbalizamos coisa nenhuma. Eu ainda sou daquelas que acredita nos sentimentos como o bem mais precioso, como o elo mais fraco e o alvo mais fácil de atingir. E eu abri tanto os meus para ti, tanto que se podiam ouvir quando passava na rua. Queria dizer-te alguma coisa, talvez por ainda te querer, por não sentir raiva nem nuvens negras no peito aleijado, mas depois do que passamos tudo me parece insuficiente. Quem me assusta és tu por seres tão cego, embora seja a minha cegueira que me desespera. Eu até que era boa no escuro. Agora percebo porque te encontrava aí. Abriste as persianas e deixaste o sol entrar tão bruscamente que feri a visão turva. Vi tão claramente que ainda hoje não durmo com medo de acordar com claridades como aquela. Queria dizer-te alguma coisa, mas depois da persiana que abriste não tenho voz. Percebe que o erro é teu, que a cegueira é minha e que não posso correr porque não vejo.
Volta e concerta ou desaparece e quebra de vez.

1 comentário:

  1. ó, não é nada de especial, mas muito obrigado :3
    Embora mostre um sentimento triste, gostei muito do texto.

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